O nome de Lili Elbe é hoje conhecido sobretudo através de um romance e de um filme. A sua vida foi mais estranha, mais corajosa e mais triste do que qualquer um dos dois, e ela merece ser conhecida por mais do que ter sido o tema da obra de outras pessoas.
Quem foi Lili Elbe?
Nasceu na Dinamarca em 1882 e formou-se em pintura, tornando-se conhecida pelas suas paisagens. Casou com a ilustradora Gerda Wegener, e o casal viveu e trabalhou em Copenhaga e, mais tarde, em Paris.
Lili começou a viver como ela própria por etapas. Durante anos apareceu nos retratos de Gerda, e no círculo social do casal, antes de viver abertamente como mulher.
As suas cirurgias
Em 1930 viajou para a Alemanha, onde foi observada no Institute for Sexual Science (Instituto de Ciência Sexual) de Magnus Hirschfeld, em Berlim, e depois se submeteu a uma série de operações, algumas delas em Dresden, realizadas pelo ginecologista Kurt Warnekros. Estiveram entre as primeiras cirurgias de afirmação de género de que há registo.
O seu casamento com Gerda foi anulado, e Lili conseguiu que a sua identidade legal fosse reconhecida na Dinamarca. Esperava voltar a casar e ter filhos, e foi com essa esperança que se realizou uma nova operação, experimental. Morreu em 1931, de complicações na sequência dessa cirurgia.
The Danish Girl
A sua história foi publicada depois da sua morte, num livro organizado a partir das suas cartas e de entradas do seu diário. Muito mais tarde inspirou o romance The Danish Girl (A Rapariga Dinamarquesa), de David Ebershoff, publicado em 2000, e um filme com o mesmo nome, de 2015. Ambos são ficção baseada na sua vida, e ambos alteram pormenores importantes.
O filme, em particular, foi alvo de críticas, nomeadamente por ter escolhido um ator cis para o papel de Lili. Penses o que pensares dele, vale a pena lembrar que o livro e o filme são versões dela contadas por outras pessoas.
Porque é que ela é importante
Lili Elbe viveu num momento em que quase nada se sabia e quase nada era seguro, e mesmo assim avançou. A sua vida é parte da razão pela qual as gerações seguintes, incluindo Christine Jorgensen, duas décadas depois, encontraram médicos dispostos a ajudar.
Quem foi a primeira pessoa transgénero? situa-a nessa história mais ampla.

Wren · Redação
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