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Como falo da minha identidade num encontro?

Diz a versão curta e muda de assunto. Estás num encontro, não numa audiência.


A armadilha é deixar que isso se torne o tema. Assim que a conversa passa a ser sobre o teu género, fica ali a noite toda, e vais para casa depois de te teres explicado durante três horas em vez de teres descoberto se gostas desta pessoa.

Tem uma versão curta preparada

Uma ou duas frases, ditas com calma, que já tenhas dito em voz alta antes. Nada de discursos. Algo como: sou trans, estou fora do armário há uns anos, para mim não é bem a manchete — e a seguir uma pergunta sobre a outra pessoa.

O objetivo de a preparares não é a representação. É que passas a decidir tu o enquadramento em vez de improvisares enquanto alguém te fixa.

Depois avança

Pergunta-lhes algo logo a seguir. Qualquer coisa. Sinaliza que aquilo era informação e não um convite para te entrevistarem, e a maioria das pessoas segue essa deixa sem dar por isso.

Se quiserem ficar naquilo e fazer vinte perguntas, podes dizer: falo disso com gosto noutra altura, mas preferia ouvir como foi a tua semana. É educado, é claro, e funciona.

A profundidade escolhes tu

Há uma diferença entre uma pergunta que é sobre ti e uma pergunta que é sobre a categoria. «Como foi contar à tua família?» é sobre ti. Perguntas sobre o teu corpo, num primeiro encontro, também não são sobre ti.

Podes responder a umas e não a outras sem justificares a escolha. «Não falo disso com quem acabei de conhecer» não precisa de continuação, e uma pessoa razoável aceita e segue em frente.

Se falharem

Quem usa a palavra errada uma vez e se corrige está bem — deixa passar, e repara que se corrigiu. Quem continua a fazê-lo depois de avisado disse-te alguma coisa sobre a atenção que está a prestar. Isso vale mais do que qualquer pedido de desculpa.

O nome disto é misgendering, e não tens de gerir o embaraço da outra pessoa. Um breve «é ela» e seguir em frente chega.

Nomes e percurso

O teu nome é o teu nome. Ninguém tem direito a um anterior, e «como te chamavas antes?» é uma pergunta que podes simplesmente recusar. O termo para o nome antigo é deadname e não é conversa de circunstância.

Como é um bom sinal

Aceitam a versão curta, respondem como pessoas, e voltam à conversa que estavam a ter. Mais tarde usam os teus pronomes sem cerimónia. Nada na noite se organiza à volta disso.

A fasquia é essa, e é cumprida mais vezes do que a internet sugere.

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