Seis pessoas de idades diferentes costuram juntas uma colcha de retalhos colorida em uma mesa ensolarada
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Significado de LGBTQIA+: cada letra e por que a sigla cresce

Lésbicas, gays, bissexuais, trans, queer ou em questionamento, intersexo, assexuais e um + para todas as outras pessoas. As letras são a parte fácil; quem as acrescentou, e por quê, é que é a história.

Wren

LGBTQIA+ quer dizer lésbicas, gays, bissexuais, transgênero, queer ou em questionamento, intersexo e assexuais, sendo que o A muitas vezes abrange também pessoas arromânticas e agênero, e o + representa todas as pessoas que as letras não nomeiam. Nenhum órgão único decide isso. As letras foram acrescentadas uma ou duas de cada vez, conforme grupos pediam para ser nomeados, e cada país e cada língua chegou à sua própria versão. Aqui está o que significa cada letra, como a sigla cresceu, quais versões são usadas em cada lugar e onde ainda há divergência.

O que significa cada letra

Quando temos um verbete mais completo no glossário, a letra leva até ele. A versão curta:

  • L, lésbica: uma mulher que sente atração por mulheres. O guia de mídia da GLAAD observa que uma mulher trans que sente atração só por mulheres normalmente se diria lésbica.
  • G, gay: atração por pessoas do mesmo gênero. Muitas mulheres preferem lésbica, e algumas lésbicas também se dizem gays.
  • B, bissexual: atração por mais de um gênero. A GLAAD deixa claro que o bi se refere a gêneros iguais ao seu e diferentes do seu, e não só a homens e mulheres.
  • T, transgênero: ter um gênero diferente daquele atribuído no nascimento. Descreve o gênero, não a atração, então uma pessoa trans também pode ser lésbica, gay, bi, hétero ou ace. A GLAAD observa que muitas pessoas não binárias também se dizem transgênero, e outras não.
  • Q, queer ou em questionamento. A GLAAD diz que o Q normalmente significa queer, uma palavra ressignificada para pessoas que não são exclusivamente héteros, e que em contextos de apoio, sobretudo para jovens, pode significar em questionamento.
  • I, intersexo: nascer com características sexuais que fogem das definições típicas de corpos masculinos ou femininos. Descreve um corpo, não uma identidade, e a GLAAD alerta para não confundir isso com ser trans.
  • A, assexual e, muitas vezes, também arromântico e agênero. Centros universitários de apoio, como o da UC Santa Barbara, listam os três.
  • +, todas as outras pessoas. A GLAAD descreve o + como o reconhecimento de todas as identidades que não são héteros nem cisgênero, o que inclui pessoas pansexuais e não binárias, entre muitas outras.

As letras respondem a perguntas diferentes. Grosso modo, L, G e B tratam de atração, T trata de gênero, I trata do corpo com que alguém nasceu, e Q e A podem abranger mais de uma dessas coisas. Por isso uma pessoa pode ser várias letras ao mesmo tempo, e por isso a sigla é uma lista de grupos, e não uma identidade única.

Como a sigla cresceu

As letras chegaram em etapas, e os relatos sobre as datas divergem. A revista Ms., com base em Gerard Koskovich, do GLBT History Museum de São Francisco, descreve o uso de gay tanto para homens quanto para mulheres nas décadas de 1940 e 1950, e lésbicas dos movimentos feministas dos anos 1960 e 1970 defendendo gay e lésbica para que as mulheres não fossem uma nota de rodapé. Ativistas bissexuais e trans exigiram inclusão muito antes de as organizações acrescentarem essas letras, o que a Ms. situa no fim dos anos 1990, resultando em GLBT. Outros relatos dão LGBT como em uso nos Estados Unidos desde mais ou menos 1988.

As organizações foram mudando de nome à medida que as letras cresciam. O grupo americano fundado em 1973 como National Gay Task Force acrescentou Lesbian ao nome em 1985 e virou National LGBTQ Task Force em 2014. Em meados dos anos 2000, LGBT já tinha superado GLBT em grande parte, talvez, sugere a Ms., para dar de novo mais visibilidade às lésbicas.

O Q veio com a ressignificação de queer. O grupo ativista Queer Nation foi fundado em 1990, e em 2016 o guia de mídia da GLAAD passou a recomendar LGBTQ, citando pessoas mais jovens que usavam queer para falar de si. Nem todo mundo aderiu na hora: a NLGJA, a associação de jornalistas LGBT, ainda recomendava LGBT naquela época.

Pessoas assexuais e arromânticas ganharam um reconhecimento mais amplo no início dos anos 2010, e versões com A já circulavam por volta de 2015. O + foi acrescentado para abranger identidades que as letras não captam.

O argumento de Koskovich, no mesmo artigo, é que a discussão sobre as letras nunca é só sobre letras. Nomear, diz ele, é uma questão de respeito, de quem se torna visível e de como o poder é compartilhado.

As versões usadas pelo mundo

Não existe um padrão internacional. O governo do Canadá chama LGBTI de sigla reconhecida internacionalmente, mas o que as pessoas de fato escrevem varia de país para país, assim como a ordem das letras.

Países de língua inglesa

  • Estados Unidos: a GLAAD recomenda LGBTQ e aceita LGBT, LGBTQ+ e outras versões. Em fevereiro de 2025, as páginas do National Park Service sobre o Stonewall National Monument retiraram as menções a pessoas trans e queer e trocaram LGBTQ+ por LGB, após uma ordem executiva sobre sexo e gênero. Marsha P. Johnson e Sylvia Rivera, ambas ativistas trans, foram figuras centrais da revolta de 1969 que o monumento homenageia.
  • Reino Unido: a Stonewall, organização beneficente pelos direitos LGBTQ+, usa LGBTQ+, por extenso lésbicas, gays, bi, trans e queer+.
  • Canadá: o governo federal usa 2SLGBTQI+, com o 2S na frente para reconhecer as pessoas Two-Spirit como a primeira dessas comunidades. Antes, usava LGBTQ2. Two-Spirit pertence aos povos indígenas, como explica o verbete do glossário.
  • Austrália: o governo do estado de Victoria usa LGBTIQA+, para lésbicas, gays, bissexuais, pessoas trans e com diversidade de gênero, intersexo, queer e assexuais, com o I antes do Q.

Europa

  • União Europeia: a primeira estratégia da Comissão Europeia sobre o tema, para 2020 a 2025, usava LGBTIQ. A adotada em outubro de 2025 usa LGBTIQ+ e a define por extenso como pessoas lésbicas, gays, bissexuais, trans, não binárias, intersexo e queer.
  • França: o plano nacional do governo pela igualdade e contra o ódio e a discriminação anti-LGBT+ valeu de 2023 a 2026. O sucessor, para 2026 a 2029, fala no título de ódio e discriminação anti-LGBTI+, acrescentando o I.
  • Espanha: a forma usual é LGTBI, com o T antes do B. A lei de igualdade trans de 2023 a usa, por extenso, como pessoas lésbicas, gays, trans, bissexuais e intersexo. A FundéuRAE, que orienta sobre o uso do espanhol, observa que a ordem pode variar e que algumas versões acrescentam um A de assexual.
  • Alemanha: as letras seguem as palavras em alemão. O governo federal escreve LSBTIQ*, de Lesben, Schwule (gays), Bisexuelle, trans, intergeschlechtliche (intersexo) e queere Menschen, como no seu plano de ação Queer leben, de 2022. A escrita alemã muitas vezes acrescenta um asterisco, como em trans*, grafia que alguns grupos usam para abranger todas as identidades sob o guarda-chuva trans.
  • Itália: o UNAR, escritório nacional contra a discriminação, chamou a sua primeira estratégia nacional (2013 a 2015) de estratégia LGBT. A atual, que vai de 2022 a 2027, é LGBT+.
  • Polônia: LGBT+ é amplamente usada, por exemplo pelo grupo ativista KPH. A própria sigla virou alvo político. A partir de março de 2019, mais de 100 regiões, condados e municípios poloneses aprovaram resoluções contra o que chamavam de ideologia LGBT, noticiadas no exterior como zonas livres de LGBT. Em março de 2021, o Parlamento Europeu respondeu declarando toda a UE uma Zona de Liberdade LGBTIQ, por 492 votos a 141.

Brasil

Nos anos 1990, a forma usual era GLBT, que tinha substituído GLS (gays, lésbicas e simpatizantes), com o T abrangendo travestis e transexuais. Na primeira conferência nacional GLBT, realizada em Brasília em 2008, a Liga Brasileira de Lésbicas propôs levar o L para a frente e, depois de um debate tenso, uma votação tornou LGBT a forma oficial.

Hoje o governo federal tem uma secretaria nacional dos direitos das pessoas LGBTQIA+ e escreve a sigla por extenso com travestis ao lado de transexuais. Alguns grupos usam LGBTQIAPN+, acrescentando pessoas pansexuais e não binárias. Uma pessoa pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais disse ao jornal O Tempo que nenhuma versão é mais correta do que outra.

Onde ainda há divergência

Longa ou curta

As versões mais longas são criticadas como difíceis de manejar e ridicularizadas como sopa de letrinhas. A alternativa muitas vezes proposta é queer como uma única palavra guarda-chuva. É mais curta, mas, como a Ms. apontou, traz de volta um problema de invisibilidade para lésbicas, bissexuais e pessoas trans, e ainda fere algumas pessoas mais velhas que a ouviram como insulto. A GLAAD recomenda cautela antes de chamar de queer alguém que não escolheu essa palavra.

O que o A quer dizer

Hoje o A costuma ser lido como assexual, arromântico e agênero. Mas ele também já significou ally, aliado. A revista The Advocate observou em 2016 que alguns grupos universitários tinham acrescentado um A de assexual ou de ally, e uma versão longa citada pela Ms. em 2013 incluía ally. Em 2021, Siggy, que escreve sobre temas ace, argumentou que o slogan “A is not for ally” (o A não é de aliado) erra essa história, mesmo querendo as pessoas assexuais na sigla. As duas coisas podem ser verdade: o A às vezes significou ally, e hoje costuma ser lido como as pessoas a-spec que estavam faltando.

Se o I deve estar na sigla

A ativista intersexo Emi Koyama apresentou os dois lados num ensaio para a Intersex Initiative. A favor: corpos intersexo são patologizados como a homossexualidade já foi, e as cirurgias em crianças intersexo são, na visão dela, fortemente moldadas pela homofobia, pela transfobia e pela misoginia. Contra: o I pode sugerir que a maioria das pessoas intersexo é LGBT, o que muitas não são, pode afastar pais e mães em busca de ajuda e pode fazer uma lei que protege pessoas LGBT parecer proteger também pessoas intersexo. A conclusão dela foi acrescentar o I apenas com um trabalho real sobre as questões intersexo por trás.

Se o T deve estar na sigla

A discussão mais dura é sobre tirar uma letra. A LGB Alliance, criada no Reino Unido em 2019, descreve a orientação de lésbicas, gays e bissexuais como baseada no sexo e faz campanha por essas pessoas separadamente das pessoas trans. Quem defende manter o T costuma apontar para a história: ao responder em 2025 à mudança nas páginas do monumento, o Stonewall Inn disse que retirar a palavra transgender marginalizava justamente as pessoas que abriram o caminho.

Qual versão usar?

Não existe resposta errada em geral, só no contexto. A GLAAD aceita várias versões, e a pessoa pesquisadora brasileira ouvida pelo O Tempo disse que nenhuma é mais correta. Três regras práticas ajudam:

  • Para um grupo ou uma organização, use a versão que o próprio grupo ou organização usa: 2SLGBTQI+ para programas federais canadenses, LGTBI num texto jurídico espanhol, LSBTIQ* num texto oficial alemão.
  • Para uma pessoa, use a palavra dela em vez da sigla. O conselho da GLAAD é perguntar às pessoas quais termos elas usam antes de atribuir um rótulo.
  • Para um público geral, LGBTQ+ e LGBTQIA+ são amplamente compreendidas. O que importa mais é não escolher uma versão que deixe de fora, sem alarde, pessoas que você quer incluir.

As bandeiras cresceram do mesmo jeito. A bandeira Progress Pride, criada por Daniel Quasar em 2018, acrescentou um chevron nas cores da bandeira trans e em marrom e preto para pessoas queer racializadas, e em 2021 Valentino Vecchietti acrescentou o amarelo e o roxo da bandeira intersexo, um I visual. A página da bandeira Progress Pride conta essa história, sinais mais antigos são explicados em Símbolos LGBTQ+, e todas as outras bandeiras estão na seção das bandeiras do Orgulho.

Wren · Redação

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