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Tipos de não monogamia ética: como saber qual combina com você

Aberta, swing, monogamish, poliamorosa ou anárquica: como cada estilo funciona numa semana comum, onde estão as discussões e como dizer qual é o seu.

Wren

A não monogamia ética abrange qualquer estilo de relacionamento que não seja exclusivo, em que todas as pessoas envolvidas sabem e concordam. Os principais tipos são a relação aberta, o swing, os arranjos monogamish, a família do poliamor (hierárquico, não hierárquico, solo e fechado) e a anarquia relacional. Eles se diferenciam em algumas perguntas simples: é sobre sexo, amor ou os dois, existe um casal central, e o quanto todo mundo compartilha? As suas respostas a essas perguntas apontam para o estilo que combina com você.

O que torna a não monogamia ética

O consentimento de todas as pessoas envolvidas. O comitê sobre não monogamia consensual da Divisão 44 da American Psychological Association descreve essas relações como aquelas em que todas as pessoas parceiras dão consentimento explícito a relações íntimas, românticas ou sexuais com mais de uma pessoa, e diz que elas não devem ser confundidas com infidelidade. Não monogamia ética e não monogamia consensual são dois nomes para a mesma família.

Todas as pessoas incluem as que chegam depois. Um acordo que duas pessoas fizeram antes de você as conhecer continua moldando a sua relação com uma delas. É por isso que uma nova pessoa parceira tem todo o direito de perguntar o que foi combinado, e é por isso que os estilos que deixam alguém no escuro são os mais discutidos.

Também é menos incomum do que pode parecer. Em duas amostras americanas de adultos solteiros publicadas em 2017, pouco mais de uma em cada cinco pessoas (21,9% e 21,2%) disse já ter tido, em algum momento, uma relação não monogâmica consensual, e pessoas gays, lésbicas e bissexuais tinham mais probabilidade de dizer isso. Numa pesquisa canadense nacionalmente representativa com cerca de 2 mil adultos, 4% das pessoas que estavam num relacionamento estavam numa relação aberta, e 12% diziam que a relação aberta era o seu ideal.

Para pessoas trans e não binárias, o único estudo que encontramos aponta um número mais alto. Das 162 pessoas adultas trans e não binárias em relacionamentos ouvidas por Perez e Pepping em 2024, 32,1% estavam em relações não monogâmicas consensuais, e a satisfação delas com a relação não era diferente da de quem estava em relações monogâmicas. O estudo alerta que a maioria das pessoas participantes era branca e não binária, então os resultados podem não valer para todos os grupos.

Relação aberta, swing e monogamish: um casal no centro

Esses três estilos costumam partir de um casal e decidir o que é permitido fora dele. As fronteiras são borradas, e a ficha informativa do comitê da APA diz claramente que as suas próprias definições são amplas e não se excluem mutuamente.

Relação aberta

A ficha informativa descreve uma relação aberta como aquela em que as pessoas são romanticamente exclusivas com uma pessoa parceira enquanto têm outras parcerias sexuais, às vezes em casal, às vezes de forma independente. Outras fontes, incluindo o nosso glossário, usam a expressão de forma mais ampla, para abranger também encontros românticos. No dia a dia, pode parecer a vida de um casal comum com algumas noites que não são compartilhadas: uma das pessoas tem um encontro na quinta-feira, e o que se conta sobre ele depois é o que as duas tiverem combinado.

Swing

A ficha informativa descreve quem pratica swing como romanticamente exclusivo com uma pessoa parceira e em busca de outras relações sexuais em conjunto, o que pode significar sexo em grupo ou troca de casais. Em entrevistas com 16 casais casados praticantes de swing, os pesquisadores Claire Kimberly e Jason Hans descobriram que os casais seguiam regras que tinham definido juntos, e que a comunicação, falada e não falada, era central para o nível de satisfação deles. Ao contrário de um arranjo aberto, em que cada pessoa pode ter encontros separados, o swing costuma ser algo que o casal procura junto.

Monogamish

As relações monogamish são monogâmicas na maior parte do tempo, com exceções específicas e combinadas. A palavra está ligada ao colunista de conselhos sexuais Dan Savage, que descreveu assim o próprio casamento num perfil publicado pelo New York Times em 2011: exceções ocasionais, sobre as quais ele e o marido são honestos. No dia a dia, parece monogamia. A diferença é que as exceções são nomeadas de antemão, e não descobertas.

A família do poliamor

O poliamor é ter mais de uma relação que importa, no plano romântico e também no sexual. A ficha informativa da APA observa que pessoas poliamorosas podem estar solteiras ou ter parceria, e podem estar num grupo de três ou mais pessoas ou em várias relações separadas. Os estilos que cabem dentro dele se diferenciam sobretudo numa pergunta: alguma relação vale mais do que as outras?

Hierárquico e não hierárquico

No poliamor hierárquico, uma relação é a principal. Um estudo de 2017 com 1.308 pessoas poliamorosas recrutadas pela internet descreve uma relação principal como aquela em que as pessoas normalmente moram juntas, dividem as finanças, são casadas se quiserem ou criam filhos, e uma relação secundária como aquela em que normalmente se mora separado e as finanças são separadas. Nessa amostra, as relações principais recebiam mais aceitação da família e dos amigos e mais investimento e compromisso; as secundárias envolviam mais segredo, e uma parte maior do tempo juntos era dedicada ao sexo. Algumas hierarquias incluem um veto, em que a pessoa parceira principal pode exigir o fim de outra relação.

O poliamor não hierárquico abandona a classificação: nenhuma relação principal, nenhuma voz extra sobre as outras relações de uma pessoa parceira e nenhum veto, como resume Kale Gossen. Isso não torna todas as relações idênticas. Uma pessoa pode morar com alguém e ver outra pessoa uma vez a cada quinze dias sem que nenhuma das duas relações fique estruturalmente abaixo da outra.

Kitchen table, paralelo e solo

Outras palavras descrevem como uma rede se comporta. No poliamor kitchen table, ou de mesa de cozinha, as pessoas se sentem à vontade o bastante com as outras parcerias das suas parcerias para se sentarem juntas para um café. No poliamor paralelo, as relações correm lado a lado sem se cruzar, e essas pessoas podem nunca se encontrar. O poliamor solo é para quem não quer fundir a própria vida com a de nenhuma pessoa parceira: Amy Gahran, que escreve sobre o tema, descreve relações com amor, profundidade e compromisso, mas sem exclusividade nem fusão, como morar junto ou dividir as finanças.

Polifidelidade

A polifidelidade é o poliamor com a porta fechada: três ou mais pessoas romântica e sexualmente exclusivas entre si. A palavra vem de Kerista, uma comunidade de San Francisco que existiu, com membros que foram mudando, de 1971 a 1991, onde designava unidades familiares fechadas e comprometidas de até uma dúzia de amantes. Um grupo polifiel pode continuar fechado ou aceitar alguém novo com o consentimento de todo mundo. No dia a dia, pode se parecer bastante com a monogamia, só que com mais gente à mesa.

Anarquia relacional: nenhuma classificação

A anarquia relacional vai um passo além. Andie Nordgren a formulou num panfleto sueco de 2006, traduzido mais tarde para o inglês como The short instructional manifesto for relationship anarchy, que parte da ideia de que o amor é abundante e de que cada relação é única. Enquanto o poliamor não hierárquico deixa de classificar as parcerias românticas, escreve Gossen, a anarquia relacional rejeita a hierarquia em todas as relações, amizades incluídas.

No dia a dia, isso pode significar que uma amizade próxima tem tanto direito ao seu fim de semana quanto alguém com quem você vive um romance, e que nada, de morar junto a sexo e rótulos, é presumido por causa do tipo de relação. O manifesto de Nordgren pede que as pessoas personalizem os seus compromissos e mudem as coisas por meio da comunicação. Na prática, isso costuma significar mais conversa do que numa relação convencional, e não menos.

Don't ask, don't tell, e as críticas que recebe

Num arranjo don't ask, don't tell (não pergunte, não conte), muitas vezes abreviado para DADT, sair com outras pessoas é permitido, mas os detalhes ficam em sigilo. Zhana Vrangalova, num texto publicado no site do Feeld em 2023, resume o acordo: eu não pergunto o que você faz com outras pessoas, e você mantém tudo em sigilo para que eu não descubra por acaso. O podcast Multiamory o coloca ao lado do poliamor paralelo, na ponta mais baixa do que chama de espectro de entrelaçamento, mas como uma coisa diferente: no poliamor paralelo, as relações simplesmente não se cruzam, enquanto no DADT os detalhes deliberadamente não são discutidos.

As pessoas o escolhem por motivos compreensíveis. Vrangalova cita não ter que processar as experiências de uma pessoa parceira, o alívio do que os olhos não veem o coração não sente e mais energia para o resto da vida, e diz que ele pode funcionar em relações a distância. O site Non-Monogamy Help acrescenta a gestão do ciúme e a possibilidade de manter uma longa vida em comum como alternativa à separação.

Ele também é polêmico nas comunidades poliamorosas, como observa o Non-Monogamy Help. O site aponta que, quando os detalhes ficam escondidos, é difícil ter certeza de que todo mundo deu um consentimento informado, principalmente em relação à saúde sexual; que as pessoas que saem com alguém nesse arranjo podem se sentir usadas se ninguém contar a elas; que ele pode parecer mais infidelidade do que abertura; e que os problemas são mais difíceis de resolver quando não se pode falar das outras relações. Vrangalova acrescenta que é difícil mantê-lo sem desonestidade, e que ele pode significar que uma pessoa parceira tolera a não monogamia em vez de querê-la. O terapeuta Wayne Scott, num texto na Psychotherapy Networker, alerta que ele pode levar a surpresas que descarrilam uma relação.

Se você é a pessoa nova, tem direito a pelo menos uma informação: a de que esse arranjo existe.

Acordos versus regras

Todos os estilos acima funcionam com base em acordos, e o nome que se dá a eles importa menos do que quem teve voz.

Uma distinção frequente nos textos sobre poliamor, por exemplo no veterano site More Than Two, separa regras de limites. Uma regra é algo que uma pessoa impõe a outra. Um limite é algo que você define para si: não proibir uma pessoa parceira de fazer alguma coisa, mas dizer o que você vai fazer se ela fizer. A diferença essencial, nas palavras do site, é o lócus de controle. O site é especialmente crítico das regras que um casal escreve antes de uma nova pessoa chegar, que podem tirar coisas de uma terceira pessoa que nunca concordou com elas.

Os acordos ficam entre as duas coisas: decisões tomadas em conjunto pelas pessoas que elas afetam. Jeff Levy, psicoterapeuta em Chicago citado no mesmo texto da Psychotherapy Networker, diz que os casais que se saem bem têm acordos explícitos que respondem a perguntas-chave: o que a não monogamia significa para eles, como vão lidar com o que se conta e o que cada um quer e não quer saber. O artigo observa que os acordos muitas vezes se afrouxam à medida que o conforto aumenta. Marie Cacao, que atende casais não monogâmicos, dá menos peso aos acordos formais e mais à compreensão dos medos, das sensibilidades e dos limites de cada um.

Algumas perguntas põem qualquer acordo à prova:

  • Todas as pessoas afetadas tiveram voz, incluindo as parcerias que chegaram depois?
  • O acordo protege um sentimento ou controla uma pessoa?
  • Existe um momento em que vocês vão revê-lo?
  • Você se sentiria à vontade para explicá-lo a uma pessoa nova num primeiro encontro?

Qual estilo combina com você, e como dizer isso

Ninguém escolhe um estilo de uma vez por todas, mas estas perguntas ajudam a afunilar:

  • É sobretudo sobre sexo, sobre amor ou os dois? Sobretudo sexo aponta para o swing, o monogamish ou muitos arranjos abertos; amor aponta para o poliamor.
  • Você quer uma pessoa parceira central, com a vida fundida à sua? Se sim, um estilo centrado no casal ou hierárquico pode servir. Se não, olhe para o poliamor não hierárquico ou solo.
  • Você quer saber os detalhes? Se não, pense com honestidade se isso é don't ask, don't tell, e no que isso exige das outras pessoas.
  • As parcerias devem se conhecer? Essa é a pergunta do kitchen table ou do paralelo.
  • As amizades devem ter o mesmo peso que o romance? Então vale a pena ler sobre a anarquia relacional.
  • Você quer o círculo fechado? Isso é polifidelidade.

Quando souber, diga com clareza. A sigla ENM, sozinha, informa a categoria, não o formato. Em 2022, o Hinge acrescentou um campo opcional de tipo de relacionamento com as opções monogâmico, não monogâmico ou descobrindo o meu tipo de relacionamento; seja lá o que um aplicativo ofereça, uma frase clara na sua bio faz mais. Diga o nome do estilo, diga se você tem parcerias no momento e diga o que está procurando. O que colocar no perfil de encontros cobre o resto.

Num primeiro encontro, as perguntas que valem a pena são as que afetam você. Você tem parcerias, e elas sabem que você está saindo com outras pessoas? Existe algum acordo que moldaria o que isto pode se tornar? O que acontece se ficar sério? Perguntas para fazer num primeiro encontro traz mais. É justo perguntar sobre a estrutura de relacionamento de alguém; sobre o corpo, não.

A saúde sexual faz parte da conversa

A saúde sexual é um dos assuntos práticos sobre os quais se espera que pessoas não monogâmicas conversem, e as pesquisas sugerem que muitas conversam. Resumindo pesquisas da equipe de Conley, a pesquisadora Elisabeth Sheff escreveu na Psychology Today em 2014 que as pessoas abertamente não monogâmicas tinham mais probabilidade de fazer testes, de conversar sobre a sua saúde sexual com as pessoas parceiras e de usar camisinha e outros métodos de barreira do que as pessoas que não tinham negociado uma relação aberta. A ficha informativa do comitê da APA também diz que as pessoas em relações não monogâmicas consensuais relatam altos níveis de estratégias de sexo mais seguro.

O Bedsider, um site de saúde sexual mantido pela organização americana Power to Decide, chama a transparência sobre o histórico de testes e os resultados recentes de um pilar da confiança, e inclui o uso de métodos de barreira, a organização da agenda e o que se conta entre as coisas a combinar em voz alta em vez de presumir. Perguntas que vale a pena levantar com as pessoas parceiras:

  • Quando cada um de vocês fez o último teste, e como vão compartilhar os resultados?
  • Os métodos de barreira fazem parte de algum acordo, e com quem?
  • O que muda quando alguém começa a sair com uma pessoa nova?
  • Quem mais faz parte da rede, e quem precisa ficar sabendo se surgir alguma coisa?

Esta é uma lista de assuntos para conversar, não um conselho médico. Um serviço de saúde sexual pode dizer quais testes e quais formas de proteção fazem sentido para você e para as suas parcerias.

Wren · Redação

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