O National Coming Out Day (Dia Nacional de Sair do Armário) cai em 11 de outubro. Ele nasceu de uma aposta simples: a de que as pessoas mudam de opinião sobre as pessoas LGBTQ+ quando percebem que já conhecem e amam algumas. Para pessoas trans e não binárias, a ideia ainda tem força, com ressalvas que importam.
De onde vem
Tudo começa com uma marcha. Em 11 de outubro de 1987, a segunda Marcha Nacional sobre Washington pelos Direitos de Lésbicas e Gays levou cerca de meio milhão de pessoas à capital, segundo a contagem da Human Rights Campaign.
Quatro meses depois, mais de 100 ativistas se reuniram em Warrenton, na Virgínia. O relato da Human Rights Campaign diz que eles sentiam que a comunidade reagia muitas vezes na defensiva aos ataques, e queriam, em vez disso, um dia para celebrar a saída do armário. Escolheram o aniversário da marcha.
A ideia é atribuída a duas pessoas. Robert Eichberg era um psicólogo que em 1978 tinha fundado The Experience, um workshop que incentivava as pessoas a se assumirem para a família e os amigos, e que escreveu um livro chamado Coming Out: An Act of Love. Jean O'Leary, uma ativista que cresceu em Cleveland, dirigia na época a National Gay Rights Advocates.
Como se espalhou
O primeiro National Coming Out Day foi realizado em 11 de outubro de 1988, com a participação de dezoito estados. O artista Keith Haring criou o logotipo, uma figura saindo de um armário dançando. Em 1990, segundo a Ohio History Connection, todos os cinquenta estados e outros sete países participavam.
A Human Rights Campaign assumiu depois a organização, em 1993 segundo a mesma fonte, depois que a National Gay Rights Advocates fechou as portas; outros relatos datam a ligação com a Human Rights Campaign de 1990. Durante quinze anos, ela deu um tema a cada edição, de Come Out to Congress, em 1999, a Coming Out Still Matters, em 2013 e 2014. Robert Eichberg morreu em 1995.
O dia é americano, mas viajou. Na Irlanda, em 2013, foi marcado com eventos pelo país inteiro, e uma pessoa que defende os direitos trans, citada naquele dia, disse que aumentar a conscientização sobre as identidades trans era exatamente o motivo pelo qual iniciativas como essa importavam. Em Londres, o Evening Standard marcou a data em 2017. Os dois mantiveram a mesma data, 11 de outubro.
Para pessoas trans, sair do armário não é coisa de um dia
O dia imagina o coming out como um momento. Para muitas pessoas trans, é mais parecido com um hábito que você não pediu: um emprego novo, um médico novo, um locador, um encontro, um colega que te conhecia antes. Cada um é uma nova decisão sobre dizer ou não alguma coisa.
E ele vem em duas partes que se confundem. Contar a alguém que você é trans é uma conversa. Dizer o seu nome, os seus pronomes, ou que você é mulher, homem ou uma pessoa não binária é outra, e muitas vezes é a mais difícil, porque pede à outra pessoa que atualize algo que ela achava que sabia.
Para pessoas não binárias, muitas vezes há uma terceira camada: explicar a própria palavra. Quem decide quanto explicar é você. «Sou uma pessoa não binária e uso pronomes neutros» é uma frase completa. Se você não tem certeza de que a palavra trans inclui você, pessoas não binárias são trans? é um bom ponto de partida.
Ninguém tem essa obrigação
Um dia construído em torno da visibilidade pode fazer parecer que não sair do armário é um fracasso. Não é. Escolher não contar, no trabalho, na família ou em lugar nenhum, é uma forma legítima de viver, e tem até nome: stealth.
Essa crítica não é nova. No National Coming Out Day de 2013, o escritor Preston Mitchum argumentou na revista The Atlantic que focar tanto na saída do armário coloca sobre cada indivíduo o peso de enfrentar um mundo hostil, em vez de colocar sobre a sociedade a tarefa de tornar esse mundo seguro. Ele listou os motivos pelos quais as pessoas continuam no armário: perigo físico, consequências financeiras e a falta de uma rede de proteção. E escreveu que ninguém deve ser obrigado a sair do armário.
Se você está se perguntando se precisa contar para uma pessoa específica, tenho que contar para alguém que sou trans? analisa a questão caso a caso.
Segurança em primeiro lugar
Se você está pensando em sair do armário, a data no calendário importa muito menos do que a sua situação. Vale a pena responder a algumas perguntas antes:
- Você depende da pessoa para quem vai contar, para dinheiro, moradia, situação migratória ou cuidados? Se sim, tenha um plano B antes da conversa, não depois.
- Quem tem mais chance de reagir bem? Começar por uma pessoa segura pode ajudar, porque ela pode estar do seu lado nas conversas mais difíceis.
- Para quem essa pessoa vai contar? Depois que você conta para alguém, não controla mais até onde a informação vai. É justo pedir que ela não repasse, e é justo esperar até confiar que ela vai respeitar isso.
- O lugar onde você mora é seguro para isso? As leis e as atitudes mudam muito de um país para outro, e de uma cidade para outra.
Como sair do armário como pessoa trans trata do lado prático, da escolha do momento a como lidar com as perguntas. E se alguém tirou essa decisão de você e contou para outras pessoas sem o seu consentimento, isso é outing, não é culpa sua, e o que fazer se alguém revelou que você é trans está aqui para isso.
Marcar a data sem sair do armário
Você pode marcar o dia sem dizer uma palavra sobre si. Pergunte como está uma amizade que saiu do armário recentemente, ou que ainda não saiu e está carregando esse peso. Agradeça a alguém que esteve do seu lado quando você contou. Ou aprenda um pedaço da história do dia e passe adiante.
Uma coisinha é diferente num espaço só para pessoas trans como o T4TSpace: todo mundo que você conhece lá é trans ou não binário, então essa conversa em particular é uma que você pode pular.

Wren · Redação
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