O look mais fácil para a Parada do Orgulho começa por uma bandeira: escolha as cores, decida com que intensidade quer usá-las e se vista para um dia longo em pé. Isso pode significar um visual da cabeça aos pés com a bandeira trans, ou um único par de meias que ninguém mais vai decifrar. A seguir, combinações de cores para as bandeiras que pessoas trans e não binárias mais usam, ideias de looks discretos e chamativos, e o lado prático: calor, pausas no binding, fotos e a volta para casa.
Looks baseados nas cores das bandeiras
Um look de bandeira não precisa copiar as listras: usar as cores juntas já basta. Os tons exatos e os códigos de cor estão na página de cada bandeira.
Bandeiras de gênero
- Transgênero: azul-claro, rosa e branco, em cinco listras que ficam iguais de cima para baixo e de baixo para cima: azul-claro, rosa, branco, rosa, azul-claro. Experimente uma camiseta branca com uma camisa rosa aberta por cima e uma calça azul-clara, ou mantenha a simetria com azul-claro nas duas pontas: um boné e um tênis.
- Não binária: amarelo, branco, roxo e preto, de cima para baixo. Uma blusa amarela, calça ou saia roxa e botas pretas seguem a ordem; meias brancas ou uma bolsa branca acrescentam a quarta listra.
- Gênero fluido: rosa, branco, roxo, preto e azul. Com cinco cores, escolha três para as roupas e coloque as outras duas nos acessórios.
- Agênero: preto, cinza, branco e verde, em sete listras que se espelham em torno de uma única listra verde no meio. Uma blusa verde entre camadas cinza ou pretas mantém a ideia.
- Genderqueer: lavanda, branco e verde-escuro.
- Transfeminina: azul-claro por fora, três tons de rosa por dentro, o mais escuro no centro. Uma jaqueta azul-clara aberta sobre camadas rosa lembra o desenho.
- Transmasculina: rosa por fora, três tons de azul por dentro, o mais escuro no centro. Uma camisa rosa aberta sobre camadas azuis faz o mesmo.
Outras bandeiras que você pode querer combinar
- Lésbica: na versão de cinco listras, laranja-escuro, laranja, branco, rosa e rosa-escuro.
- Bissexual: rosa, roxo e azul, com o rosa e o azul ocupando cada um dois quintos da bandeira e o roxo um quinto. Deixe o roxo para a peça menor.
- Pansexual: rosa, amarelo e azul.
- Assexual: preto, cinza, branco e roxo.
- Intersexo: um fundo amarelo com um círculo roxo. Uma blusa amarela com um único anel, bóton ou bolsa roxos fica perto do desenho.
- Progress Pride: as seis cores do arco-íris com um chevron preto, marrom, azul-claro, rosa e branco, as três últimas tiradas da bandeira transgênero.
Misturar não tem problema: uma blusa com a bandeira trans e um bóton da bandeira lésbica, ou as cores não binárias com uma pulseira bissexual.
Chamativo, discreto ou algo no meio
O quanto você quer ficar visível é decisão sua, e isso pode mudar ao longo do dia.
Chamativo
Cor da cabeça aos pés, uma bandeira usada como capa ou amarrada como canga, pintura facial em listras, cabelo tingido, uma blusa de tela por cima de um binder ou de um bralette, botas plataforma. Se este é o único dia do ano em que você pode se vestir exatamente como quer, aproveite. Mas monte o look em torno de uma ou duas peças de destaque, para ter algo que dê para tirar quando o sol aparecer ou quando a multidão diminuir.
Discreto
As cores de uma bandeira podem passar por uma roupa comum para quem não as conhece. Uma camisa rosa, uma calça jeans azul-clara e um tênis branco são um look de verão para a maioria das pessoas, e uma bandeira trans para as pessoas que você quer que percebam. As cores bissexuais, em especial, são muito usadas sozinhas, em roupas e em selos de foto de perfil, como uma forma discreta de dizer bi.
- Esmalte, uma listra por unha.
- Meias, cadarços ou um elástico de cabelo nas cores da bandeira.
- Uma pulseira de miçangas na ordem da bandeira.
- Um bóton pequeno, por exemplo com o símbolo transgênero ⚧ em vez da bandeira inteira. O guia dos símbolos LGBTQ+ traz outros.
- Um anel preto no dedo médio da mão direita, um símbolo assexual mais antigo.
- Uma bandana ou um lenço que você pode usar e depois dobrar e guardar no bolso.
Se a Parada também é uma chance de experimentar um visual que você não usa todo dia, estilo andrógino tem ideias de cortes e camadas que misturam os códigos habituais.
Se você não saiu do armário, ou não pode aparecer em fotos
Nem todo mundo que vai à Parada se assumiu para a família, para o empregador ou para as pessoas no ônibus de volta para casa. Você pode ir mesmo assim, e usar algo que signifique alguma coisa para você. O truque é um look que se desmonta.
- Camadas que dá para tirar. Uma bandana com a bandeira, um bóton na alça da bolsa em vez de no peito, uma camisa colorida aberta por cima de uma camiseta lisa.
- Uma troca de roupa. Leve uma blusa lisa e, se usar pintura facial ou glitter, lenços umedecidos para tirar. Troque de roupa antes de começar o caminho de volta, num lugar onde você se sinta em segurança para isso.
- Nada que fique. Tatuagens temporárias, e tinta de cabelo que sai na lavagem em vez de tintura permanente, caso uma mudança visível vá chamar atenção em casa.
Fotos e consentimento
A Parada está cheia de câmeras. No Reino Unido, por exemplo, não existe nenhuma regra legal contra fotografar pessoas num evento público, mas um guia da Digital Camera World sobre como fotografar o Orgulho diz que perguntar antes é a regra mais importante, e alerta que compartilhar a foto de alguém na internet sem consentimento pode expor essa pessoa.
Algumas organizações definem os próprios padrões: os fotógrafos oficiais do San Francisco Pride se comprometem a respeitar pedidos de privacidade verbais e não verbais e a apagar imagens quando alguém pede. Alguns congressos e outros eventos distribuem cordões de crachá ou pulseiras coloridas para as pessoas que não querem ser fotografadas, então vale a pena perguntar se a Parada da sua cidade faz algo parecido.
No dia, óculos escuros, um chapéu ou um leque na frente do rosto tornam você mais difícil de identificar. Você pode virar o rosto, dizer não ou pedir que alguém apague uma foto que acabou de tirar. E a regra vale para os dois lados: pergunte antes de fotografar qualquer pessoa, e desfoque os rostos antes de postar uma foto da multidão. Se uma foto já chegou a quem não devia, o que fazer se alguém revelou que você é trans pode ajudar.
Se vestir para um dia longo ao ar livre
Uma Parada do Orgulho pode significar horas em pé, andando e esperando, muitas vezes sob o sol de verão. Monte o look em função disso, e não o contrário.
- Cor e tecido. Nas suas dicas de verão para quem usa binder, a ONG britânica Mermaids sugere cores claras e roupas mais soltas, e evitar o preto, que esquenta muito mais. Os tons pastel da bandeira trans ajudam; nas bandeiras com listras pretas, deixe o preto para os acessórios.
- Sol. O NHS recomenda protetor solar com FPS de pelo menos 30 e proteção UVA de pelo menos 4 estrelas, reaplicado a cada duas horas e depois de suar, além de chapéu e de ficar na sombra quando o sol está mais forte, entre as 11h e as 15h no Reino Unido.
- Água. Leve uma garrafa grande, ou dinheiro para comprar água. A akt, uma ONG britânica, observa nas suas dicas de segurança no Orgulho para jovens LGBTQ+ que muitos cafés e bares dão água da torneira se você pedir. O NHS sugere evitar álcool no calor; se você beber, a akt sugere comer direito e alternar com água.
- Calçados. A akt recomenda tênis ou sandálias com apoio para o arco do pé, e curativos na bolsa para quando começarem a machucar. Não é o dia de amaciar botas novas.
- Bolsos. Uma bolsa transversal ou uma pochete mantém com você o celular, o carregador, a água, o protetor solar e uma blusa de troca, sem uma mochila pesada.
Se você faz terapia hormonal, a akt observa que as ondas de calor podem piorar com o tempo quente. A insolação é uma emergência: se você ou alguém que está com você continuar se sentindo mal depois de 30 minutos descansando num lugar fresco e bebendo bastante água, a akt recomenda ligar para os serviços de emergência (999 no Reino Unido).
Binding, tucking e packing num dia longo
O que vai por baixo do look também importa, principalmente no calor. Isto não é um passo a passo, só o que as organizações de saúde trans e as organizações comunitárias costumam recomendar, em linhas gerais.
Binding
Se você faz binding, o TransHub, o recurso trans australiano mantido pela ACON, e a Mermaids, no Reino Unido, publicam orientações que vale a pena ler inteiras antes de um dia longo. Entre os pontos:
- Faça pausas regulares: vá a um lugar reservado, tire o binder ou enrole-o para baixo e respire fundo.
- Não faça binding com fita silver tape nem com ataduras de tecido. O TransHub alerta que as ataduras são feitas para comprimir e podem ficar apertadas demais.
- As duas organizações definem um limite diário para o binding, e a Mermaids sugere usar o binder pelo menor tempo possível quando está quente.
- Evite fazer binding durante exercícios físicos, e pare se o binding causar dor.
- Se você sentir tontura ou enjoo, ou se o coração disparar, a Mermaids diz para sair do sol, beber água e, se possível, ir a um lugar onde dê para tirar o binder, junto com uma pessoa amiga.
Se você prefere não fazer binding o dia inteiro, uma camisa larga e estruturada por cima pode suavizar a forma como o seu peito é lido, sem compressão; o TransHub cita uma camisa oversized como uma alternativa quando o binding não é uma boa ideia, por exemplo durante exercícios. Para qualquer coisa específica do seu corpo, como o tempo que é seguro para você, pergunte a um serviço de saúde trans ou a um profissional de saúde de confiança.
Tucking e packing
Se você faz tucking, o TransHub recomenda parar e procurar um lugar reservado para fazer uma pausa se isso causar dor ou desconforto. Também lembra que é preciso desfazer o tucking para usar o banheiro, o que vale a pena planejar num dia longo fora de casa. Se você faz packing, a mesma lógica vale: escolha algo que dê para usar com conforto por horas, e saiba aonde ir para se ajeitar. Os serviços de saúde trans podem orientar sobre as duas coisas.
A ida e a volta
Pense no trajeto além do evento: uma plataforma vazia, um ônibus tarde da noite ou a última rua até em casa podem parecer muito diferentes do meio de uma marcha. As dicas da akt para jovens LGBTQ+ em Paradas e marchas são práticas, e a organização relata um aumento recente da violência em protestos e eventos LGBTQ+, vinda principalmente de pessoas que não estão ali pela causa.
- Não vá sem companhia. Vá com pessoas amigas, ou pergunte a um grupo comunitário local se você pode ir junto.
- Combine um ponto de encontro num lugar que todo mundo conheça, caso vocês se separem.
- Carregue o celular e leve uma bateria externa. A akt sugere um aplicativo de compartilhamento de localização para que as pessoas do grupo consigam se encontrar.
- Tenha como voltar para casa. O transporte público e os táxis podem ser afetados em grandes eventos, então confira o que está funcionando, reserve um táxi com antecedência ou combine um lugar para dormir perto dali.
- Vá embora se algo parecer errado. A equipe de organização, os pontos de apoio e as tendas de primeiros socorros estão ali se acontecer alguma coisa.
É aqui que um look desmontável compensa: troque a bandeira por uma blusa lisa antes de sair da região, para que seja você quem decide o quanto fica visível no caminho de volta.
Orgulho com pouco dinheiro
Você não precisa comprar um look para a Parada. A maior parte das ideias acima funciona com roupas que você já tem, separadas por cor.
- Comece pelo seu guarda-roupa. Separe tudo o que tiver nas cores de uma bandeira. Uma camisa rosa esquecida, uma calça jeans azul-clara e uma camiseta branca já são um look de bandeira trans.
- Segunda mão. Brechós e bazares beneficentes são bons para peças de uma cor só, nas seções masculina e feminina.
- Fita. Alguns metros de fita nas cores da bandeira viram um elástico de cabelo, um enfeite enrolado na alça da bolsa, uma pulseira ou listras costuradas numa jaqueta lisa.
- Tinta ou canetas para tecido transformam uma camiseta lisa ou uma ecobag numa bandeira. Pinte alguns dias antes para dar tempo de secar.
- Miçangas e alfinetes. Miçangas enfiadas em alfinetes de segurança na ordem da bandeira viram pequenos broches para usar ou distribuir.
- Troca. Pergunte ao seu grupo trans ou queer local se alguém vai organizar uma troca de roupas antes da Parada, ou organize uma.
Por que o que você veste no Orgulho sempre importou
O Orgulho começou como protesto, e as roupas faziam parte do argumento. A partir de 1965, ativistas faziam piquetes em frente ao Independence Hall, na Filadélfia, todo 4 de julho, em atos chamados Annual Reminders. Por medo de violência, os organizadores impunham um código de vestimenta profissional rigoroso e pediam que os manifestantes andassem numa fila ordenada.
Depois da revolta de Stonewall, em Nova York, em junho de 1969, ativistas planejaram algo diferente. A primeira Christopher Street Liberation Day March aconteceu em 28 de junho de 1970, um ano depois de Stonewall, e reuniu milhares de pessoas do Greenwich Village ao Central Park; Chicago tinha marchado no dia anterior. Ao contrário dos Annual Reminders, a marcha de Nova York não tinha código de vestimenta. Para muitas das pessoas presentes, era a primeira vez que apareciam em público abertamente como LGBTQ.
As pessoas trans faziam parte desse movimento, entre elas Marsha P. Johnson, embora os relatos sobre o papel dela no próprio Stonewall sejam divergentes. Mais dessa história em Mês da História LGBTQ+.
Então use a capa, ou as meias, ou a camiseta lisa com um bóton na bolsa. Nenhuma dessas opções é mais Orgulho do que as outras. A primeira marcha de Nova York abandonou o código de vestimenta, e ninguém mais tem o direito de definir o seu.

Wren · Redação
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