Duas pessoas organizam fotos impressas espalhadas sobre uma mesa iluminada pelo sol
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Busca reversa de imagem: pesquise seu perfil antes que alguém faça

Uma foto é um termo de busca. Veja o que o Google Lens, o TinEye e os buscadores de rosto conseguem encontrar a partir da sua, e o que fazer se alguém usar isso contra você.

Wren

A busca reversa de imagem mostra o seu perfil de encontros? Ela mostra as páginas que um mecanismo de busca indexou, então o que importa é onde mais a mesma foto aparece: num Instagram público, numa página do trabalho, num blog antigo. Os buscadores de rosto vão além e procuram outras fotos do seu rosto. Para pessoas trans e não binárias, esse rastro pode levar de um perfil de encontros a um sobrenome, a um local de trabalho ou a um nome antigo. Veja como funcionam as principais ferramentas, como checar as fotos de um match sem passar dos limites, como deixar as suas mais difíceis de rastrear e o que fazer se alguém publicar os seus dados.

Como funciona a busca reversa de imagem

A busca reversa de imagem parte de uma foto em vez de palavras, e as ferramentas são de dois tipos. A maioria procura a mesma imagem. Um tipo mais recente procura o mesmo rosto. A diferença importa para o que uma pessoa desconhecida pode descobrir sobre você e para o que você deve usar com outra pessoa.

  • TinEye cria uma impressão digital da imagem e a compara com todas as imagens do seu índice. Encontra cópias exatas, inclusive as que foram cortadas, editadas ou redimensionadas. Segundo o próprio TinEye, ele não consegue reconhecer o que há numa imagem, então não vai encontrar outra foto da mesma pessoa. O TinEye diz que não salva as imagens que você pesquisa.
  • Google Lens mostra sites com a imagem ou com uma parecida, imagens visualmente semelhantes e informações sobre objetos na foto. O Google avisa que pode armazenar o endereço de uma imagem que você pesquisa por link.
  • Bing Visual Search também encontra imagens semelhantes e identifica objetos, plantas e pontos turísticos.
  • Yandex, o buscador russo, estava muito à frente do Google e do Bing em encontrar outras fotos do mesmo rosto quando o site de investigação Bellingcat comparou essas ferramentas em 2019, em parte porque usava redes sociais, incluindo sites de encontros. Os buscadores mudam, então leia isso como um retrato daquele momento.

Seja qual for a ferramenta, ela só consegue mostrar o que indexou. Uma foto que só existe no seu perfil de encontros dá a ela muito menos com que trabalhar do que uma que também está numa página pública com o seu nome ao lado.

Buscadores de rosto são outra ferramenta

Buscadores de rosto como o PimEyes não procuram a sua foto. Procuram o seu rosto, em qualquer foto das páginas que indexaram. Em 2023, a NPR descreveu o PimEyes como uma ferramenta que permite a qualquer pessoa identificar alguém desconhecido em segundos a partir de uma foto do rosto, e relatou que ele traz à tona fotos que as pessoas nem sabiam que existiam, como aquelas em que elas aparecem ao fundo num restaurante ou num show.

As próprias páginas do PimEyes apontam alguns limites. O serviço diz que indexa apenas sites de acesso público, deixa as redes sociais de fora e apaga as imagens usadas nas buscas em no máximo 48 horas. Diz também que não identifica ninguém: mostra links, não nomes. O argumento da NPR era que é preciso pouco trabalho de detetive para ir dos links a um nome. O PimEyes afirma com todas as letras que não verifica a identidade dos seus clientes, e embora as regras dele digam para pesquisar apenas o próprio rosto ou o de alguém que concordou com isso, nada impede qualquer pessoa de pesquisar qualquer outra.

Para pessoas trans, uma busca de rosto pode mostrar qualquer página pública em que o seu rosto aparece, seja qual for o nome impresso ao lado. O guia de identidade digital da Trans Lifeline observa que a internet pode guardar mais de um nome de uma pessoa trans e que um site que você não controla pode continuar exibindo uma foto de antes da transição. Uma foto de time, uma página da escola ou uma matéria antiga de um jornal local fazem parte desse rastro, mesmo que você nunca tenha postado nada disso.

Como checar as fotos de um match sem passar dos limites

Checar se as fotos de um match foram roubadas é um conselho padrão. A Federal Trade Commission dos Estados Unidos orienta quem suspeita de um golpe amoroso a fazer uma busca reversa da foto de perfil da pessoa, e trata como sinal de golpe uma foto ligada a outro nome ou a detalhes que não batem. Como identificar um perfil falso trata dos outros sinais.

  • Pesquise todas as fotos, não só a primeira. Faça uma captura de tela, corte a imagem deixando só a pessoa e tente tanto no TinEye quanto no Google Lens.
  • A mesma foto com outro nome, num banco de imagens ou na conta de modelos ou influenciadores geralmente significa que as fotos foram pegas de outra pessoa.
  • As mesmas fotos numa conta pública com o mesmo nome e os mesmos detalhes combinam com uma pessoa real, embora sozinhas não provem nada.
  • O TinEye consegue ordenar os resultados pela cópia mais antiga que encontrou, mas avisa que essa é a data em que o rastreador dele achou a imagem, não a data em que ela entrou na internet pela primeira vez.

Um resultado vazio não prova nada, nem para um lado nem para o outro. Muitas pessoas trans não mantêm nenhuma foto pública, então, com um match trans, esse pode ser o resultado mais comum. Mas o FBI também alertou em dezembro de 2024 que criminosos criam imagens realistas para perfis fictícios usados em golpes amorosos, e uma foto feita desse jeito não tem nenhuma cópia anterior para ser encontrada. O FBI sugere procurar mãos distorcidas, dentes ou olhos irreais, rostos borrados ou irregulares, óculos ou joias estranhos e sombras que não fazem sentido. Uma chamada de vídeo rápida resolve mais do que qualquer busca.

E há um limite que não se deve cruzar: cheque a foto, não a pessoa. Uma busca de imagem diz se uma foto pertence a outra pessoa. Jogar o rosto de um match num buscador de rosto diz quem essa pessoa é, por onde passou e talvez como se chamava antes, que é exatamente a busca que você não gostaria que ninguém fizesse sobre você. Além disso, você entrega o rosto dela a uma empresa que, segundo ela mesma, não verifica quem está pesquisando. Se você quiser mais certeza do que as fotos podem dar, nosso guia sobre verificação em apps de encontros explica o que as verificações dos próprios apps provam e o que não provam. No T4TSpace, um aplicativo de encontros feito por e para pessoas trans e não binárias, cada conta é verificada por uma pessoa.

Como deixar as suas fotos mais difíceis de rastrear

Comece por você. Passe cada foto que pretende usar pelo Google Lens e pelo TinEye, e coloque o nome de usuário que pretende usar num buscador comum. O que aparecer é o que um match curioso, ou alguém hostil, vai encontrar primeiro. O PimEyes também oferece uma busca básica gratuita, que mostra se o seu rosto está em páginas indexadas por ele, ao custo de entregar a ele uma foto do seu rosto por até 48 horas.

  • Fotos que não existem em nenhum outro lugar. Uma foto que já está no seu Instagram, no seu LinkedIn ou numa página do trabalho leva direto até eles. Tire fotos novas para os encontros e confira o fundo e a localização escondida no arquivo, como explica nosso guia sobre fotos para app de encontros.
  • Um nome de usuário que você não usa em nenhum outro lugar. A Trans Lifeline lembra que os nomes de usuário nas redes sociais são públicos. Um mesmo nome de usuário no seu perfil de encontros, no seu Instagram e numa conta de jogos liga tudo para quem pesquisar por ele.
  • Menos detalhes fixos. O seu empregador, a sua universidade, o seu bairro ou um cargo incomum estreitam uma busca tanto quanto uma foto.
  • Contas antigas. A Trans Lifeline sugere encerrar as contas que você não usa mais, de um blog antigo a um app testado por uma semana, e mudar os dados das que não dá para apagar.

Se você vive stealth, esses passos são a base para ter encontros com segurança, e não um extra, e como namorar vivendo stealth acrescenta endereços de e-mail separados e configurações de visibilidade nos apps.

Como sair dos resultados e pedir remoção

Não dá para tirar uma foto de todas as cópias, mas alguns serviços explicam como tirar você dos resultados deles.

  • PimEyes tem um formulário de opt-out. Você envia uma foto nítida do seu rosto, a digitalização de um documento de identidade com os dados sensíveis cobertos, seguindo as instruções do serviço, e um endereço de e-mail, e ele passa a bloquear dos resultados as correspondências muito próximas. O PimEyes diz que um único pedido pode não pegar todas as correspondências e recomenda fazer vários, com fotos diferentes, e a NPR relatou que testes mostraram que o opt-out nem sempre garantia a saída do site. De qualquer forma, as fotos continuam nas páginas de onde vieram.
  • TinEye tem um formulário de remoção para imagens que são suas: você cola a página de resultados do TinEye de cada imagem e declara que detém os direitos autorais.
  • Google permite pedir a remoção do seu endereço, telefone, e-mail e documentos de identidade dos resultados de busca, e a ferramenta Results about you encontra esses resultados e pode avisar você sobre novos. O Google também aceita denúncias de conteúdo de doxxing: páginas que juntam os seus dados a ameaças ou reúnem muitas informações pessoais sem um propósito legítimo. O Google só remove resultados da própria busca, então a página continua no ar, e os outros buscadores exigem pedidos próprios.
  • Imagens íntimas. Se alguém compartilhou imagens íntimas suas, ou ameaça fazer isso, o StopNCII.org, mantido pela Revenge Porn Helpline do Reino Unido, cria uma impressão digital de cada imagem no seu próprio aparelho, então a foto em si nunca sai dele. Plataformas parceiras usam essa impressão digital para encontrar e remover cópias. O serviço é para pessoas adultas e só alcança as plataformas que participam.

Para todo o resto, o conselho do TinEye é entrar em contato com o responsável pelo site. A Trans Lifeline acrescenta a ressalva honesta de que isso muitas vezes não funciona, ou não é seguro.

Se você sofrer doxxing

Doxxing é publicar informações privadas de alguém para prejudicar essa pessoa. A definição da Trans Lifeline inclui endereços, números de telefone pessoais, nomes de nascimento e fotos, e observa que o doxxing é usado para silenciar ativistas e pessoas de comunidades marginalizadas. Para uma pessoa trans, muitas vezes é também outing, ou um deadname publicado de propósito. Seja como for que tenha acontecido, a culpa não é sua. Estes passos seguem o guia de segurança digital LGBTQ da GLAAD, com as formas de remoção descritas acima:

  • Segurança em primeiro lugar. Se você estiver em perigo imediato, vá para um lugar seguro. A GLAAD sugere considerar acionar a polícia nesse caso, mas observa que lidar com a polícia traz riscos próprios, então avalie o que é mais seguro para você onde você mora.
  • Registre tudo antes que desapareça. Capturas de tela, endereços das páginas, nomes de usuário e datas, além de links arquivados quando for possível criá-los. Os pedidos de remoção, inclusive os do Google, exigem as URLs exatas.
  • Denuncie as publicações na plataforma em que elas aparecem, depois peça aos buscadores que removam os resultados que mostram os seus dados de contato.
  • Feche as brechas. Deixe as contas públicas privadas por enquanto, faça sobre você as buscas descritas acima e fique de olho no que aparece.
  • Não enfrente isso sem apoio. Conte para alguém de confiança. A Trans Lifeline sugere pedir ajuda a uma pessoa amiga na limpeza, porque ver fotos antigas ou nomes anteriores pode ser doloroso.

O que fazer se você sofreu outing e o que fazer em caso de assédio explicam os próximos passos, inclusive quando o caso vira assunto de polícia. A GLAAD, a organização americana LGBTQ voltada para a mídia, também recebe relatos de incidentes anti-LGBTQ pelo seu ALERT Desk. Quando o perigo vem do Estado, e não de uma pessoa, como esconder apps de encontros no celular lista organizações que ajudam.

Wren · Redação

Wren é o nome sob o qual o blog do T4TSpace é publicado. Os artigos são escritos pela pequena equipe que constrói o app, assinados com um só nome para que a voz continue a mesma.

Para pessoas trans e não binárias. Uma pessoa verifica cada conta.As primeiras 1000 contas verificadas mantêm tudo gratuito.

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