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Como evitar chasers nos apps de encontros: ajustes e onde procurar

Nenhuma configuração consegue ler por que alguém se interessa por você. O app que você escolhe, quem pode ver você e o que chega à sua caixa de entrada ainda decidem quanto da sua noite os chasers vão levar.

Wren

Não dá para desligar os chasers com uma única configuração, porque nenhum app consegue ler por que alguém se interessa por você. O que você pode mudar se decide antes da primeira mensagem: qual app você usa e quem ele deixa entrar, quem pode ver o seu perfil, o que esse perfil diz e o que pode chegar à sua caixa de entrada. Esta página percorre essas escolhas em vários apps muito usados. Ler as mensagens em si é outra habilidade, tratada em como saber se alguém é um chaser.

Comece por quem o app deixa entrar

A configuração mais importante não fica dentro do app. É a resposta do próprio app sobre quem pode entrar, e ela costuma estar escrita com todas as letras na página da loja de aplicativos ou na central de ajuda. Leia isso antes de ler qualquer outra coisa.

Alguns apps pensados para pessoas trans dizem abertamente que também são para quem quer sair com pessoas trans. A página do Translr na App Store cita admiradores entre as pessoas a quem o app se destina, ao lado de aliados. O site do Butterfly diz que todos os gêneros e todas as sexualidades são bem-vindos, desde que os membros estejam abertos a sair com pessoas trans. São escolhas declaradas, não falhas escondidas, e as nossas páginas sobre o Translr e o Butterfly leem cada descrição por inteiro. Mas um app que convida admiradores é um app onde você deve esperar encontrá-los, e nenhum filtro lá dentro muda quem já passou pela porta.

Os apps generalistas aceitam todo mundo. Os apps queer traçam a linha em outro lugar: o HER, por exemplo, diz que é para a comunidade LGBTQIA+ e cita mulheres trans, homens trans e pessoas não binárias. Isso ainda descreve quem pode entrar, não como essas pessoas se comportam. Numa análise de 624 respostas a uma pesquisa com usuários LGBTQ+ de aplicativos de encontros no Canadá, publicada em 2025, pesquisadores do DIGS Lab da Universidade Concordia constataram que a objetificação e a fetichização eram comuns entre as pessoas participantes trans e não binárias. A comparação dos apps de encontros trans mostra quem cinco desses apps aceitam, com as palavras deles.

Decida quem pode ver o seu perfil

Por padrão, a maioria dos apps mostra você para qualquer pessoa cujas configurações de busca incluam você. Algumas configurações restringem isso, e vale a pena saber quais delas são pagas.

  • Os modos incógnito tiram o seu perfil da vitrine geral. O Tinder lista o modo incógnito entre os recursos do Tinder Plus, o Bumble o inclui no Premium e no Premium+ e diz que só as pessoas que você curtiu vão ver você, o Grindr o coloca no Unlimited, e o HER, no HER Premium. Nos quatro, esse controle mais direto sobre quem vê você faz parte de um plano pago.
  • O OkCupid tem uma configuração que chega perto. Se o seu perfil estiver definido como gay ou bissexual, você pode escolher, nas configurações de privacidade, não ver pessoas hétero nem aparecer para elas, sejam quais forem as suas outras preferências. Ela só é oferecida a perfis com esses dois rótulos. O Incognito do OkCupid é pago, e a empresa diz para entrar em contato se pagar por ele pesar no seu bolso.
  • Desativar o Discovery no Tinder faz o seu perfil deixar de ser mostrado para pessoas novas. As pessoas que você curtiu antes ainda podem ver você e dar match com você.
  • No Grindr, você pode desativar o Show Me in Explore Searches, para que pessoas que não estão por perto não consigam explorar a sua região e encontrar você ali.

O gênero que você informa também molda o seu público. O Tinder diz que a forma como você identifica o seu gênero influencia em quais buscas você aparece, então escolher uma categoria também significa escolher para quem o seu perfil é mostrado. Vale a pena saber disso, mas não é motivo para se descrever como algo diferente de quem você é.

Escolha o que o seu perfil diz

Vários apps grandes permitem registrar o seu gênero sem exibi-lo no perfil público. O Tinder permite mostrá-lo abaixo do seu nome, ocultá-lo por completo ou mostrar só algumas partes, e diz que tenta removê-lo automaticamente para usuários LGBTQIA+ em lugares onde as identidades deles são criminalizadas ou estigmatizadas. O Hinge tem uma caixa Visible on Profile para gênero, sexualidade e pronomes. O Bumble permite escolher se você mostra o seu gênero ou o mantém privado.

Usar ou não essas opções é uma escolha com prós e contras reais, e há pessoas trans dos dois lados. Num estudo de 2024 de Michael Ann DeVito e equipe, construído a partir de seis rodadas de discussão com 25 pessoas sáficas usuárias de aplicativos de encontros, uma pessoa participante disse que informações detalhadas sobre identidade num perfil podiam trazer mais problemas com chasers. Outra participante disse que não revelava mais que era trans nos aplicativos de encontros e contava às pessoas quando ficava mais próxima delas. Dizer logo de cara tem a sua própria vantagem: as pessoas que reagiriam mal se afastam sozinhas antes de você gastar uma noite com elas. Tenho que contar para alguém que sou trans? pesa os dois lados.

A mesma equipe sugeriu um design que tira parte do peso dessa escolha: o app usa as informações de identidade na busca e na formação de matches sem mostrá-las a todo mundo que abre o seu perfil. Quando um app oferece ocultar um campo, é essa a pergunta a fazer. Ocultar o campo muda só o que pessoas desconhecidas leem, ou também quem consegue encontrar você por meio dele?

Filtre o que chega à sua caixa de entrada

Algumas ferramentas ficam entre você e as pessoas desconhecidas. Nenhuma delas mira os chasers explicitamente, mas cada uma pode barrar parte do que é enviado.

  • O Comment Filter do Hinge, nas configurações, na parte de segurança, oculta curtidas cujos comentários contenham palavras, frases ou emojis que você adiciona a uma lista, e um filtro automático barra linguagem desrespeitosa. As curtidas filtradas vão para uma seção Hidden Likes sem notificação, quem enviou não fica sabendo, e você pode apagá-las sem ler.
  • O Private Detector do Bumble desfoca automaticamente, nas conversas, as fotos que podem ser explícitas, e permite ver a imagem, apagá-la ou bloquear e denunciar quem enviou.
  • Com o Photo Verified Chat do Tinder, disponível depois que você também passou pela verificação por foto, só outras pessoas com verificação por foto podem mandar mensagem para você.
  • O HER Premium acrescenta filtros por identidade de gênero e por Pride Pins, que incluem T4T.

Dois cuidados. A verificação só mostra que alguém se parece com as próprias fotos, então um chaser que usa o próprio rosto passa nela. E um filtro que ajuda você a encontrar pessoas trans pode ajudar qualquer pessoa a encontrar pessoas trans. No estudo de DeVito, uma pessoa participante temia que filtros específicos para pessoas trans facilitassem a vida dos chasers, enquanto uma participante não binária, que disse ter tido mais sorte com encontros t4t, queria poder filtrar por outras pessoas trans, desde que isso fosse apresentado com cuidado. Os dois argumentos valem ao mesmo tempo.

Ocultar, bloquear e denunciar: o que cada um faz

Os botões parecem iguais, mas fazem coisas diferentes, e a diferença importa quando alguém insiste em voltar.

  • Ocultar, no Grindr, tira da sua grade um perfil com quem você não conversou e tira você da grade dessa pessoa, sem avisá-la.
  • Desfazer o match, no Tinder, tira vocês das listas de matches um do outro para sempre, e a outra pessoa não é notificada. Onde essa opção existe, dá para bloquear ao mesmo tempo, e aí nenhuma das duas pessoas consegue ver o perfil da outra.
  • Bloquear, no Bumble, tira a pessoa dos seus matches e impede contatos futuros. Ela não é avisada, e não dá para desfazer.
  • Denunciar envia a conta para a moderação do app. A lista de motivos do Bumble inclui conteúdo sexual não solicitado e ódio dirigido à identidade de gênero, o app diz que você não precisa ter certeza de que uma regra foi violada, e a página de recursos de segurança dele afirma que a fetichização é proibida.

Faça capturas de tela antes de desfazer o match ou bloquear. No Bumble, depois que você desfaz o match com alguém e perde o acesso ao perfil da pessoa, a denúncia precisa passar pela equipe de suporte, com o nome dela e as capturas de tela que você tiver guardado. O que fazer em caso de assédio mostra a ordem que preserva as suas provas.

Onde procurar em vez disso

O outro caminho é buscar encontros entre pessoas trans, e aí uma pergunta, se a pessoa está ali por você ou por uma categoria, praticamente deixa de aparecer. Os encontros T4T acontecem em tags nos apps generalistas, em apps pensados para pessoas trans, em comunidades que nem são aplicativos de encontros e em plataformas feitas só para pessoas trans e não binárias. Onde os encontros t4t acontecem de fato passa por cada um desses lugares, com o que verificar antes de confiar num espaço que se diz t4t.

Cada um tem limites. Uma tag t4t num app que aceita todo mundo só é tão honesta quanto as pessoas que a escrevem, e o filtro do HER para o pin T4T fica num plano pago. Grupos, fóruns e eventos locais andam mais devagar do que um app, e onde conhecer pessoas trans fora da internet traz lugares práticos para começar.

Apps feitos só para pessoas trans significam menos gente por perto, que é o custo habitual deles. O T4TSpace, um aplicativo de encontros feito por e para pessoas trans e não binárias, é um deles. Cada conta nele é verificada por uma pessoa, que confirma que por trás dela há alguém real e maior de idade cuja selfie corresponde à foto principal. O gênero de ninguém é verificado, então não podemos prometer que todo mundo lá é trans.

O que nenhuma configuração consegue fazer

As configurações separam as pessoas pelo que elas informaram ao app. Alguém que mente sobre o motivo de estar ali, ou que se mantém perfeitamente educado até a quinta mensagem, passa por todas elas, inclusive pela verificação. É por isso que saber ler as pessoas continua importando, e o que é um chaser descreve o padrão a observar.

Então tente reduzir o volume em vez de acabar com ele. Dez minutos dedicados a quem um app aceita, a quem pode ver você e ao que pode chegar até você podem poupar muitos bloqueios depois, e deixam o botão de bloquear para os poucos que ainda conseguirem passar.

Wren · Redação

Wren é o nome sob o qual o blog do T4TSpace é publicado. Os artigos são escritos pela pequena equipe que constrói o app, assinados com um só nome para que a voz continue a mesma.

Para pessoas trans e não binárias. Uma pessoa verifica cada conta.As primeiras 1000 contas verificadas mantêm tudo gratuito.

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